Julho 2013
O relógio batia as doze badaladas.
O relógio batia as doze badaladas.
O gato Simão espreguiça-se
depois de mais uma soneca bem dormida e olha em seu redor. É então que
vislumbra, no meio da escuridão da noite, um pequeno vulto que esvoaça perto da
janela e que, a pouco e pouco, se aproxima. É Oriana, a gaivota, que saciada
depois dum belo repasto de peixe, resolvera ir dar uma volta pelas redondezas
e, talvez movida pela curiosidade de ver mais de perto aquele felino, acaba por
poisar no parapeito da janela.
Oriana era uma gaivota curiosa e aventureira cujo principal
prazer era viajar e descobrir novas terras. Ao contrário das suas companheiras
que pouco mais iam além da zona onde encontravam normalmente alimento, gostava
de ir mais longe, movida pelo desejo de ir ao encontro do desconhecido. O seu
instrumento poderoso e mágico eram as suas asas que lhe conferiam toda a
liberdade do mundo e lhe permitiam grandes viagens e passeios atravessando
países e continentes, mares e oceanos.
Naquela noite, porém, ao invés de se preparar para mais uma
viagem, resolveu dar apenas um pequena volta pelas redondezas do local habitual
de reunião com as suas companheiras. E foi então que deparou com o pachorrento
Simão, um gato corpulento e felpudo com uns grandes olhos amarelos que emitiam
uma luz fosforescente na escuridão da noite. Era o sítio predileto de Simão, a
poltrona da sala onde a sua dona havia amavelmente colocado uma mantinha macia
para as suas infindáveis sestas. Junto ao relógio, que ia dando conta do passar
das horas com o seu suave tique-taque, o gato rendia-se ao prazer de se
emaranhar em confusos sonhos, uns que o faziam quase esboçar um sorriso, outros
estremecer. E ali estava aquele ser nunca outrora observado por Simão, uma
gaivota grande e branca que se detivera na janela e parecia querer falar-lhe.
Simão, também curioso, foi-se aos poucos aproximando e
ficaram a observar-se mutuamente. É Oriana que toma a iniciativa de se
apresentar:
-Olá, eu sou Oriana, uma gaivota muito aventureira e brincalhona. E tu, quem és?
Simão, surpreso com a inesperada conversa, responde-lhe:
-Eu sou Simão, um gato preguiçoso que adora dormir e sonhar.
- E que mais gostas tu de fazer”, pergunta-lhe Oriana.
-Humm gosto muito de comer e brincar com a minha dona.
Oriana ficou a pensar...”Dona...não gostava de estar na posição deste gato. Eu gosto mesmo é de liberdade e de não estar presa a ninguém”.
-Olá, eu sou Oriana, uma gaivota muito aventureira e brincalhona. E tu, quem és?
Simão, surpreso com a inesperada conversa, responde-lhe:
-Eu sou Simão, um gato preguiçoso que adora dormir e sonhar.
- E que mais gostas tu de fazer”, pergunta-lhe Oriana.
-Humm gosto muito de comer e brincar com a minha dona.
Oriana ficou a pensar...”Dona...não gostava de estar na posição deste gato. Eu gosto mesmo é de liberdade e de não estar presa a ninguém”.
E Oriana contou-lhe, então, o quanto gostava de viajar horas
sem fim rumo ao desconhecido e o quanto já havia conhecido.
-Não gostavas de vir cá para fora e descobrir o mundo?
Simão não sabia o que isso era. Gostava da sua vidinha de gato. Comer, dormir e brincar com a dona, que mais podia ele querer?
-Não, respondeu ele. Sou feliz assim. Sabes, tenho receio do desconhecido. Este sempre foi o meu lar e aqui tenho tudo para ser feliz.
Oriana pensou então como a felicidade é um conceito tão relativo e como as vidas podem ser tão diferentes. Mas ela gostava da sua e queria continuar a ser livre e a partir para as suas descobertas do admirável mundo novo.
-Olha Simão, disse Oriana, o que interessa é que tu sejas feliz à tua maneira tal como eu sou, à minha.
-Não gostavas de vir cá para fora e descobrir o mundo?
Simão não sabia o que isso era. Gostava da sua vidinha de gato. Comer, dormir e brincar com a dona, que mais podia ele querer?
-Não, respondeu ele. Sou feliz assim. Sabes, tenho receio do desconhecido. Este sempre foi o meu lar e aqui tenho tudo para ser feliz.
Oriana pensou então como a felicidade é um conceito tão relativo e como as vidas podem ser tão diferentes. Mas ela gostava da sua e queria continuar a ser livre e a partir para as suas descobertas do admirável mundo novo.
-Olha Simão, disse Oriana, o que interessa é que tu sejas feliz à tua maneira tal como eu sou, à minha.
O relógio batia as três da madrugada e era tempo de Oriana
partir e Simão voltar a dormir e mergulhar nos seus sonhos de gato curioso. -
- Gostei de falar contigo, mas está na hora de me ir embora. Novas terras aguardam por mim, urge que eu me faça a caminho. Sê feliz Simão e quem sabe não te venho visitar mais vezes.
Simão gostou daquela criatura que o fez, de certo modo, sair do seu mundinho confortável e perceber que havia tanta coisa que ele não conhecia. Mas era apenas isso, uma curiosidade. Não houve um desejo de sair dali, do seu espaço e, quem sabe, de descobrir novas realidades. “Não, eu sou feliz aqui”, pensou .
-Vai Oriana, que os ventos soprem a teu favor, que o céu e as estrelas iluminem o teu caminho e as tuas asas te permitam sempre voar mais longe! Até breve!
- Gostei de falar contigo, mas está na hora de me ir embora. Novas terras aguardam por mim, urge que eu me faça a caminho. Sê feliz Simão e quem sabe não te venho visitar mais vezes.
Simão gostou daquela criatura que o fez, de certo modo, sair do seu mundinho confortável e perceber que havia tanta coisa que ele não conhecia. Mas era apenas isso, uma curiosidade. Não houve um desejo de sair dali, do seu espaço e, quem sabe, de descobrir novas realidades. “Não, eu sou feliz aqui”, pensou .
-Vai Oriana, que os ventos soprem a teu favor, que o céu e as estrelas iluminem o teu caminho e as tuas asas te permitam sempre voar mais longe! Até breve!
E enquanto Oriana partiu e já só se vislumbrava ao longe,
Simão aconchegou-se no seu leito e adormeceu, feliz e reconfortado.

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